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Disciplinas Espirituais

Um belo dia um jovem foi chamado por um Homem de olhar gentil e voz mansa que conhecia todo o seu passado escuro, mas parecia não se importar com isso. Como já tinha feito algo a respeito disso há algum tempo atrás, por hoje, só o que importava a esse Homem era se apresentar a esse jovem e conquistar seu coração. Ele sabia que teriam uma longa jornada pela frente, mas não estava com pressa. Após os primeiros contatos estranhos de qualquer início de relacionamento, esse Homem esperava ensinar a esse jovem sobre sua identidade, o amor que sentia por ele e sobre Seu projeto incrível de restauração da Terra. Mas esse jovem tinha talentos e habilidades e pensou que usá-los e se esforçar para agradar esse Homem, era a forma de recompensá-lo por ter sido chamado. Ele estava enganado... só o que Ele queria era conversar.

Há um caminho de relacionamento com Deus que é sobrenatural, mas também é real. Jesus quer hoje revelar o Pai a nós através da Sua Palavra para que tenhamos corações fascinados e apaixonados pela Sua beleza. Esse caminho é a oração sendo desenvolvida em uma vida de devoção e isso é uma prioridade na vida de qualquer cristão.


A palavra “discípulo” aparece 269 vezes no Novo Testamento enquanto “cristão” apenas 3 vezes, sendo esta usada pela primeira vez justamente para se referir aos discípulos. O Novo Testamento é um livro escrito sobre discípulos, por discípulos e destinado aos discípulos de Cristo. Sem transformar os convertidos em discípulos é impossível ensiná-los a viver conforme Cristo viveu e ensinou.

No coração de um discípulo há sempre desejo, decisão e intenção clara. O discípulo de Cristo deseja, acima de tudo, ser semelhante a Ele. Sabemos que a mudança interior é obra de Deus, não nossa. Não há nada em nós de bom que mereça a graça divina ou que consiga produzir, por si só, uma mudança genuína.


Contudo, ter essa consciência pode nos levar a cometer o erro de acreditar que não há nada que devamos fazer além de esperar por uma transformação divina quase que por meio de mágica ou ilusão de ótica. Existe algo que podemos fazer como um meio, uma forma de nos colocar em uma posição favorável ao agir de Deus: As disciplinas espirituais. Elas não são capazes de nos transformar, mas nos levam ao lugar onde isso pode ocorrer. Deus não se opõe ao nosso esforço, Ele se opõe a ato de merecimento. O esforço é preciso para o desenvolvimento de uma vida regular de oração que nos leva ao conhecimento de Deus.


Prova disso é o fato de que, ao ensinar sobre duas dessas disciplinas no conhecido capítulo 6 de Mateus, Jesus não sugere um “se”. O texto aponta que essa oração e jejum eram tão comuns entre os discípulos que Jesus não precisou convencê-los da importância de tais disciplinas ou deixar como ordenança. Jesus fala a pessoas que já tinham uma disciplina estabelecida:

versículo 6 - Mas, quando orarem...

Aquele jovem que acabou de se tornar um cristão, com um coração cheio de gratidão e amor pelo Homem que o salvou das trevas da morte, pode estar facilmente, menos de 1 ano ou 6 meses depois desse encontro, se sentindo engolido por atividades e frustrações da nova cultura evangélica em que está inserido. As disciplinas mantêm nossos olhos focados em perseguir a beleza do Senhor e nosso coração com a motivação correta de buscar a Deus como um fim em si mesmo e não somente esperando por algo que alguém lhe contou que Ele é capaz de fazer.

Como um bebê que aprende a falar em meio ao ambiente familiar, todo cristão deveria aprender a orar observando a vida de oração de outros e sendo incentivado a desenvolver relacionamento com o Espírito Santo e uma prática de meditação nas Escrituras.

Oração não é algo complexo e que exija um nível de maturidade muito alto. Jesus ensina que ao orar devemos nos dirigir à Deus como uma criança se dirige ao seu paizinho querendo conhecer sua vontade e pedindo por pão.

versículo 16 - Quando jejuarem...

Assim como a oração nos leva a conhecer mais a Deus, o jejum é uma das principais disciplinas que nos levam a conhecer a nós mesmos e nossas motivações. Richard Foster, o autor mais reconhecido no assunto afirma:

"Mais do que qualquer outra Disciplina, o jejum revela as coisas que nos controlam. Este é um maravilhoso benefício para o verdadeiro discípulo que anseia ser transformado à imagem de Jesus Cristo. Cobrimos com alimento e com outras coisas boas aquilo que está dentro de nós, mas no jejum estas coisas vêm à tona... Ira, amargura, ciúme, discórdia, medo - se estiverem dentro de nós, aflorarão durante o jejum. A princípio racionalizaremos que a ira é devido à fome; depois descobriremos que estamos irados por causa do espírito de ira que há dentro de nós."

Conhecer o que nos controla e dar nome a “pecados de estimação” nos ajuda a lutar contra eles ao invés de apenas conviver com atitudes e defeitos que impedem uma vida mais íntima com o Senhor. Certamente, o Evangelho das boas notícias de arrependimento e fé fará mais sentido em um coração que conhece a própria natureza miserável na qual Cristo está trabalhando para se parecer mais com Ele.


Conhecer a Deus e a si mesmo leva inevitavelmente às disciplinas coletivas. Deus é comunidade – Pai, Filho e Espírito Santo. Ele nos insere em uma família e em um Corpo cujo cabeça é Cristo. Assim, apesar da importância das disciplinas individuais, é impossível ao cristão desenvolver uma vida espiritual madura, sozinho.

Imagine que antes da era das selfies ou até mesmo da descoberta do reflexo e espelho, ninguém poderia saber como se parece, se está com o dente sujo ou com a maquiagem borrada, se não fosse descrito e apontado por outra pessoa? Deus nos desenhou anatomicamente para conseguir ver o rosto de todos, menos o nosso. Isso nos mostra a importância de viver uma vida dependente do Cristo que está no nosso irmão. Fomos feitos para conviver e ser completos vivendo em comunidade, adorando juntos como pedras vivas, servindo e sendo servidos e reconhecendo que ninguém foi criado com todos os talentos, dons e habilidades que existem. Precisamos do que Deus deu ao outro e alguém precisa do que Deus deu a você.


Segundo Richard Foster, disciplina é fazermos tudo o que está ao nosso alcance para que Deus derrame sobre nós a graça para fazermos tudo o que não está ao nosso alcance.


Esse não é só um tema fascinante, mas extremamente necessário para um crescimento espiritual sólido nos dias atuais e deixaremos algumas dicas de livros como um incentivo à ir mais profundo do tema.

Celebração da Disciplina - Richard Foster

Espaço pra Deus - Henri Nowen

Cultura de Oração - Michael Duque Estrada



Escrito por Lilianne Nascimento.

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